Nova review de Spring Breaker by Omelete


Seios em câmera lenta, corpos seminus movendo-se de forma lasciva enquanto litros e litros de bebida jorram e espirram em supersaturada fotografia à beira-mar. É a abertura de Spring Breakers, filme de Harmony Korine que mostra uma viagem de quatro jovens para a famosa semana em que vale tudo na cartilha do periguetismo descontrolado entre os estudantes dos EUA. 
Vividas por Selena Gomez, Vanessa Hudgens, Ashley Benson e Rachel Korine, as meninas são as últimas a sair de sua escola, já que lhes falta dinheiro para a jornada. A solução bem em um inspirado plano sequência, com uma delas dirigindo um carro roubado ao redor de um restaurante. Pelas janelas, vemos a ação das outras duas, que roubam os fregueses com armas faltas e marretas. Esta feito o primeiro erro de muitos em uma semana de sexo, drogas e criminalidade (sim, as musas da Disney cresceram). 
As quatro protagonistas estão ótimas – completamente entregues -, mas é mesmo James Franco quem rouba a cena. Seu personagem, o gangster/rapper/mothafucka Alien é hilário em alguns momentos, perigoso e assustador em outros e absolutamente frágil nos demais. Um mafioso na visão de uma mulher, um Scarface para a geração que cresceu jogando Grand Theft Auto e ouvindo Britney Spears, dentro do contexto de Girls Gone Wild. 
A fotografia usa uma estética que valoriza cores e contrastes, abusando de iluminação alternativa (até luz negra é empregada na obtenção de tons cítricos e fosforescentes), para emular uma grande viagem de drogas, uma espécie de sonho. A ideia evidencia a estranheza dessa semana, em que estudantes de todo o país se lançam em um frenesi quase religioso em torno do sexo, música e substâncias diversas, uma libertação de outras 51 semanas em meio ao “Sonho Americano” criado pelos puritanos (as cenas no ambiente domado da escola são completamente diferentes, com luz fria e câmera em close-ups opressivos).
A esse idealizado visual junta-se uma edição rítmica, quase musical, em que cenas viram refrões e riffs, há variações de tom, monólogos em of e verdadeiros videoclipes inseridos na trama (se você gosta da citada Britney, prepare-se para uma interpretação sentida e sem medo de ser brega, com dança ao por-do-Sol e tudo, de uma de suas músicas). 
O diretor não poupa em estilo e busca uma liguagem inquieta, às vezes difícil de absorver, mas sempre interessante. A mensagem é um tanto desencontrada, porém. A glamurização da violência e da ausência de regras pode ser interpretada como um convite, mas é tudo tão cercado de absurdos e situações extremas que ora tudo parece um alerta. De qualquer maneira, o diretor jamais submete as suas personagens a qualquer julgamento. “Garotas só querem se divertir” e Korine dá exatamente isso a elas. 

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